Resenha - O que é a psicologia? - Georges Canguilhem



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        Não há uma só resposta do que venha a ser a psicologia, ou seja, são várias.

Ele começa o texto discursando com outro autor que se chama Daniel Lagache (1903-92), psiquiatra e psicanalista francês, e disse que é possível resumir qualquer psicologia como uma teoria geral da conduta, mas Canguilhem não de acordo com essa definição porque ao pensar que estamos todos falando as mesmas coisas não falamos o mesmo. Há diferentes versões na diferença do que é a conduta. Então se inicia de uma ontologia distinta um pressuposto diferente de que mundo ao qual estamos estudando. 

     Para algumas escolas da psicologia o homem tem a mesma conduta de um animal, do que a conduta de um humano; para outros a uma descontinuação da outra. Não é possível definir o estudo da psicologia como o estudo da conduta, porque nem todos os psicólogos estão de acordo em definir que seja somente a conduta. 

      Tentar definir esta ciência como a unidade de seu domínio seria cair em um realismo ingênuo, porque implica crer na realidade que esta aí, ou seja, a realidade como um objeto. Acreditar que o objeto existe independente, que o objeto está dado e será possível estudar criticamente quando ao contrario, a realidade é construída, consensuada acerca deste objeto de estudo. 

         I - A psicologia como ciência natural. 

     Canguilhem vai dizer que para se definir o que é a psicologia, será necessário fazer uma historiografia uma genealogia acerca do que se foi denominado psicologia ao lado da história. Canguilhem vai remeter seu pensamento aos gregos. Para os gregos a psicologia era o estudo da alma “psique”, mas os mesmos entendiam a alma como uma parte mais da anatomia, do corpo; aqui a psicologia seria uma ciência natural e isto implica que a psicologia é parte da natureza que está aí e que foi transformada em estudo. A psicologia tem uma implicação histórica e atual, porque se a “psique” esta presente em cada um dos seres, ela está encarnada. 

          Em suma, como psifisiologia e psicopatologia, a psicologia de hoje remonta ainda ao século II. (Canguilhem, 2012, p. 405). 

        Hoje a outros estudos e é conhecido como a neurociência, que é o estudo da alma “psique”. (observação minha).

           II - A psicologia como ciência da subjetividade

        Depois se tem o estudo da psicologia da subjetividade, que é a tentativa da compreensão da visão do sujeito no mundo. 

        A - A física do sentido externo

      A psicologia como ciência física do sentido externo, que é o estudo da percepção. Para o físico mecanicista, a percepção seria um descobrimento de que se dois sujeitos poderiam ver dois objetos e se depararem com dois dados diferentes e nenhum dos dois estarem enganados; há não ser que houvesse uma distorção que se introduziu no objeto assim como ele é observado. A descoberta é que os sentidos podem enganar-nos. A partir deste engano e deste descobrimento surgiram interesses de tentar entender como aparecem essas distorções; este estudo se passa pela compreensão de como o espírito nos enganam.

       B - A ciência do sentido interno

       A ciência do sentido interno, ou seja, o estudo do “eu”. Descartes diz que não é possível conhecer o mundo externo de forma direta e fiel. Porque se o espírito captasse o mesmo de maneira direta o mesmo teria a introspecção; por aqui aparece um pequeno debate entre Descartes e Aristóteles. Aristóteles dizia que a introspecção não era algo direto, ele via que o homem não se conhece a si mesmo de forma direta se não for através de reflexo que é desenvolvido pela natureza; o homem não pode ver a se mesmo a não ser pelo reflexo que a natureza desenvolve. Então o homem necessita da natureza para conhecer-se a si mesmo. O conhecimento de se mesmo é mediado pela natureza, mas Descartes protesta dizendo que a realidade não é logo o que é visível; o homem não se conhece a si mesmo se não tem o espírito em que seja possível captar a se mesmo de maneira direta. 

         C - A ciência do sentido intimo

         Tenta indagar questões que nos ocultam e ocultam a outros, e fala de Freud e de Bichat. Já não é possível centar-se em si mesmo se não é dito em um para-si; o homem não é um projeto terminado, mas que está construindo-se a todo o tempo. O homem não é um corpo terminado e sim ele é o que ele faz e como a todo o tempo ele esta fazendo algo ele projeta-se. 

          III - A psicologia como ciência das reações e do comportamento

        Canguilhem disserta sobre o homem em sua potencialidade enquanto a sua produtividade. Aqui a uma mudança do ponto de vista não somente na psicologia, mas na concepção antropológica. A concepção antropológica que faz a pergunta, quem é este homem? Então Canguilhem relata que se passa de um campo de utilitarismo a um instrumentalismo. Que passou a considerar o homem como o centro do universo, esta é uma visão “antropocêntrica” ao qual o homem é o centro e usa o que tem a seu alcance como ferramenta para lhe servir, colocando assim o homem em um lugar central. Já no instrumentalismo o homem é colocado como uma ferramenta a mais; e estudado como uma ferramenta de distintas maneiras, ou seja, vai sendo compreendido qual seria o lugar mais conveniente para ele, onde é mais conveniente ter uma pessoa trabalhando (funções laborias) onde vão ser ocupados os cargos de acordo com o seu perfil. 

    Canguilhem diz que há distintas versões de que o homem vem atravessando a história da psicologia e onde a mesma não é nem um pouco inocente nem casual e que há sempre um pressuposto e uma intenção por detrás. 

     No final Canguilhem diz que o filósofo pode orientar e aconselhar o psicólogo quanto a sua decisão: se ele deseja seguir ao Conservatório de alguns grandes homens ou se o mesmo deseja dirigir-se a Chefatura de polícia¹. 

[i]

¹ Sistema social baseado na autoridade e no estatuto mais elevado de alguém; normalmente um chefe.
(http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/chefatura/2487/).


Referência:

    CANGUILHEM. G. Estudos de História e de Filosofia das Ciências, Rio de Janeiro. Forense Universitária. 2012, 1ª edição.

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