A complexidade existencial é um absurdo

INTRODUÇÃO

Aqui a abordagem sobre a problemática entre a complexidade e o absurdo, foi um tema desenvolvido a partir de uma inquietação sobre a existência do ser na contemporaneidade; em seguida com o contato da obra do Filosofo francês Albert Camus, me vejo não mais sozinho nesta especulação inquietante sobre o tema proposto. A abordagem tem forte reflexão metafísica e paradoxos existenciais e ontológicos, que envolvem uma linguagem perplexa de paradigmas desconcertantes e que inquiridos em uma busca sobre uma resposta aproximada sobre, implica e acarreta uma proposta de acalento espiritual.

A perplexidade se dá muitas vezes na calorosa busca de respostas e  desencontros entre o ser e o aparecer. Empenhado em resultados não obtidos em sua caminhada pelo entendimento o ser só pode ter algo a qual ele busca se for perguntado ao seu próprio “eu”, que como um juiz deve questionar e ter a resposta dentro de si mesmo e não correr ou correlacionar esta interrogação em seu exterior, que só irá dar-lhe resposta apaixonantes e desejosas ao que o seu “eu” busca ouvir como um soneto suavizado entre o espectador e o maestro.

E se perguntar-mo-nos, quem será o maestro e o espectador de nossa própria vida?

“Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos.” (CAMUS, 1942, p. 7).

A COMPLEXIDADE

O ser tende a uma perplexidade com o outro, ou seja, com as coisas exteriores seja ele um outro ser (que pensa), um objeto (uma coisa) e a tendência a esquecer-se de si mesmo parece demasiado suave. Delineando as aparências da existência o curso é aparente entre o não enfrentamento do real para uma observância da coisa, seja ela a natureza, os objetos, etc.

A obviedade da complexidade a partir da clareza súbita na mente, aonde o que é visto e sentido é um absurdo, e a complexidade do todo passa a ser intencionalmente uma canalização a inobservância das essências. 

Não obstante a clarividência no desvelamento como um véu que se rasga diante da perplexidade da liberação entre o real e o aparente, se constrói pela capacidade de uma amnésia intencional, entre a derrubada do edifício construído e a permanência do mesmo, tendo em vista sua projeção em não relatar a refutação sobre a gnose que mostra a imagem ao espectador ludibriado pela sua própria consciência em tentar entender em partes todo o universo ao qual ele esta inserido. 

O ludibriamento diante da consciência encarrilhado de um fenômeno ao qual lhe aparece, é captado com uma tentativa iminente da não constatação do que é percebido. Isto implica questionamentos diante da capacidade do ser consciente diante de uma coisa e/ou diante de sua própria percepção, sensação e imaginação, como um leque emaranhado de possibilidades quanto a um ditame de envergadura existencial.

Parece que se a não observância do real perante o imaginário, tende a ser uma leve e sucinta demência conscienciosa, a qual uma teia esta bem tecida e preparada para a sua habitação, complacente e harmoniosa, com uma duvida, ou uma culpa, ou um ressentimento, etc. E se a obscuridade esta pronta para a ação imediatizada por conta da não aceitação da realidade, que pode ser como uma estatua feita de concreto, com uma estrutura chumbada e bem firme, esta rigidez parece ser mais que um observatório abstrato e sim um problema reprimido, que se encontra em um baú metalizado à sete chaves, aonde as chaves podem está no sepulcro existencial.

Se até o momento o ser está na retaguarda diante de um problema sistêmico que pode ser social-psicológico-teológico-político-cientifico; a válvula de escape pode ser o enfrentamento das causas que o acomete diante de uma crise existencial perplexa e de uma complexidade paradoxal, aonde os paradigmas tendem a se fortalecer, se não for derrubado o muro existencial construído pelo ser que se encontra patologicamente infeliz ao qual a sua crise é um mal-estar, a totalidade desta jaula cultural, tende a fazer o outro obedecer permanentemente como um animal adestrado que recebendo todos os comandos, não tem consciência, nem potência para radicalizar o processo estruturador ao qual somente através das “micro” ações, é possível atomizar uma sociedade em constructo e potencializa-la para uma tomada de decisão.

O ABSURDO

Fazer um movimento da observância do “Eu” e do “Não-Eu”, torna a vida mais maleável para uma caracterização de uma existência entre o encorajamento e o comprometimento com a vida vivida. Este paradoxo tende para uma saída aonde o acaso do “Eu” mesmo subtraindo as perspectivas objetivadas pelo próprio - delimitando um horizonte cheio de possibilidades a qual a supra necessidade de organização do que sou e do que devo ser ou posso vir a ser, esta embasada numa ousadia entre ser e aparecer.

A obviedade do absurdo é a sua complexidade a partir do “insight”, o ser se deparará com uma inautenticidade a partir de sua própria existência pendular, sendo inalterada como uma espécie de ampulheta da sorte no espaço-tempo, em que a transitoriedade encontra-se como em uma tragédia épica dos tempos homéricos.

Coagulando esta problemática, o enrijecimento entre os paradigmas e os paradoxos, alentados numa categoria metabolizada de aceitabilidade, exatidão e engajamento com esta ascensão ao nada é própria da fragilidade e desistência do não engajamento a uma perspectiva de adentrar no panorama de autenticidade, construindo sua identidade categórica do ser como existente que é sua autoafirmação, através de processo de metamorfose sendo desejado em um conjunto, aonde toda a estrutura esta sendo edificada para a sua obviedade humana.

O que será então esta obviedade humana? Enfrentamento? Autoafirmação? Encorajamento? Ou, aceitabilidade para uma vida “normal” atomizada por todas as instancias e instituições? Pode-se pensar num todo, em que esse todo possa ser analisado no singular, ou, sempre é necessário pensar no plural? A liquefação é interessante como construção do ser, ou a solidificação, ou seja, a “massificação” tende a uma estrutura mais interessante?

“A VIDA É COMO UMA ESCOLA...”

Observar, tentar entender, discernir, aprender e empreender uma vida a qual a existência do ser esta inserida na mesma é como que estas observâncias que estão no senso comum, como é dito: ”A vida é uma escola”. E se a vida é uma escola e o ser não se interessa pelas aulas e o professor (a vida) empenha-se tanto em mostrar-lhe como é, como se deve, como é possível, etc. É mostrado então que este mesmo aluno é relapso e desinteressado em apreender as lições que tanto lhes são ensinados, com uma apresentação não muito coerente, em muitas vezes ela envereda pela violenta, agressividade, decepções, loucura, demência, etc; e por outro lado lhe é mostrado o paradoxo dela mesma que são os carinhos, a delicadeza, a paciência, beneficência, etc; porém tendo em sua maior relevância a estilização da complexidade e do absurdo.

“O absurdo é inefável, pois se houvesse uma forma de explicá-lo logicamente deixaria de ser absurdo. Não é um conceito abstrato, mas uma experiência vivida pelo humano em seu cotidiano. O homem pertence ao tempo e este, por sua vez, é o seu amigo e o seu inimigo. A contradição está presente quando planejamos o amanhã ou quando somos “surpreendidos” pela morte. Não há possibilidade de separar o absurdo do nascimento da lucidez, pois a consciência da inocência de um olhar é capaz de captar o absurdo, ou seja, de fazer emergir o desejo por unidade e explicação para os questionamentos trazidos pela clareza da razão. O homem então passa a compreender o absurdo como algo único e inapreensível, assim esbarra com os “muros absurdos” que o circundam. É nessa busca por compreensão que ele sempre encontra o incompreensível. Segundo Camus (1942, p. 26-27): esse inapreensível sentimento do absurdo, quem sabe então possamos atingi-los nos mundos diferentes, porém irmanados, da inteligência, da arte de viver ou da arte pura e simples. O ambiente de absurdo está desde o começo. O final é o universo absurdo e a atitude de espírito que ilumina o mundo com uma luz que lhe é própria, para fazer resplandecer o rosto privilegiado e implacável que ela sabe reconhecer-lhe.

CONCLUSÃO

Este artigo levanta um questionamento e têm como propósito fazer uma analise entre os conceitos de “complexidade e de absurdo”.

 “A partir do meu olhar e com a leitura da obra “O Mito de Sísifo” do Filosofo francês Albert Camus, a absurdidade existencial do ser em sua plenitude implica uma complexidade entre o essencial e o necessário.”

Camus nos diz: “Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia”; e é nesta proposta filosófica que a tese abordada tentou desdobrar sucintamente uma caracterização inicial da sua filosofia. A complexidade e o absurdo foram analisados aqui como um problema existencial na contemporaneidade.

REFERÊNCIA


CAMUS. A. O mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Guanabara, 1942.

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