Amor, amor narcísico, narcisismo concreto: Sociedade do marketing/autoajuda

O sentimento de amor é muito menor ao homem, do que o sentimento narcísico. Neste primeiro até parece uma utopia, enquanto o segundo uma concretização do real na humanidade civilizada.

O amor como possibilidade de escolha para consigo e para com o outro, parece uma bobagem diante da sociedade a qual se vive no século XXI.

O narcisismo parece uma caracterização da própria realidade do sujeito, enquanto ser concreto que se realiza e imagina-se como um sujeito ainda em devir em suas perspectivas individuais e coletivas.

Como o narcisismo é um encantamento, ou seja, um endeusamento de si mesmo, o sujeito esta perplexo consigo mesmo e, vive como se somente este sentimento de auto realização fosse o melhor em sua tentativa de auto superação do “Eu”, diante no não “Eu”, ou seja, de sua nadificação a sua afirmação como existente.

O amor em sua completude é um sentimento de respeito, atenção, carinho, etc., enquanto o narcisismo é uma negação da realização desta alteridade que se espera no amor.

Enquanto amor e narcisismo não se encontram e, caminham em viés distinto, não a como esperar de uma civilização o curso para uma vida pacifica e consensual em suas relações individuais e coletivas. Primeiro ponto a ser discutido é, se o amor é um sentimento de escolha e/ou um sentimento pelo belo; segundo, se o narcisismo é um sentimento egoísta e/ou individualista.

Partindo do pressuposto, que o amor é um sentimento pelo “belo”, então o que é feio não é possível de ser amado; se for uma escolha, implica um leque de atributos como: cuidado, respeito, atenção, carinho, querer estar juntos, etc. No caso do narcisismo, se for um egoísmo ele pode ser visto como a busca utópica de autossuficiência; se for individualista, seria a não valorização do outro como um ser igual em sua condição humana e distinto em suas relações e pensamentos.

Entre embates argumentativos vão e veem opções de refutar ideias e teorias bastante realistas e outras utópicas diante do tema. No século atual, parece ser o sujeito um autorrefugiado de si mesmo. Não encontrando as respostas nele mesmo e em suas relações com os outros semelhantes, a única e grande interrogação esta em sua imediatização polarizada em busca do predicativo existencial, imaginativo e cheio de devaneios fugidios.

A cultura contemporânea esta enraizada na polarização marketeira onde a mesma é um canal de autoajuda coletiva. Este marketing/autoajuda é parte da edificação da cultura deste século como um paradigma de conceitos de todos os tipos imagináveis. A não refutação desta construção cultural de massa eleva mais os interessados por este tipo de atividade, que tem somente como finalidade “telos” o capital. O grande argumento falacioso deste tipo de ideia é a de valorização do livre mercado e da prioridade em informar a sociedade dos fatos no país e no mundo.

Se a maioria da sociedade contemporânea não quer se responsabilizar e nem refletir sobre a situação a qual ela mesma se encontra, por não corresponder a suas expectativas culturais, econômicas, sociais, estéticas e políticas; qual o paradigma de uma sociedade quase que unânime aonde esta se encontra em estado de inércia e demência existencial.


O que é mais suave e mais fácil? Ser amado, amar e ser odiado, ou ser um sujeito individualista, “sem comprometimento com ninguém”; há não ser com ele mesmo? 

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