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Inferências e Proposições

A máxima: “Eu ajo com o outro, da mesma maneira que desejo que ajam comigo”. Se esta proposição for levada a cabo de forma não inferencial ou inferencial, como ela pode ser mensurada? S ⇔ P; P ⇔ S; Logo, S ⇒ P e P ⇒ S. No ato de uma ação sensorial onde: S ⇒ P e P ⇒ S, qual a proposição que justifica esta assertiva? Se sempre que S deliberar uma ação no intuito de um retorno com o mesmo objetivo de P será que esta inferência encontra-se em harmonia com a proposição?  S deseja agir de forma causal onde o efeito de sua deliberação seja sempre seguro; P espera de forma recíproca a mesma assertiva. Como ter segurança de que S ⇒ P e P ⇒ S que a mesma inferência será justificada pela recíproca? Uma proposição Ética não pode ser uma prerrogativa justificada onde implicações sejam seguras. O interlocutor e sua deliberação não tem uma epistemologia para estas inferências diante de preposições, pois a linguagem utilizada tem em seu pressuposto a priori uma implicação m...

A subversão do conceito de Individualismo

No Jardim do Éden “Deus” cria um casal “Adão e Eva”, logo em seguida, fruto desta relação nasceu “Caim e Abel”. Caim dedica-se às coisas do campo enquanto Abel cuida das ovelhas. Ambos querem apresentar algo ao “Criador” - simbolismo de agradecimento por suas vidas. Caim leva o fruto da terra e Abel traz as partes gordas das primeiras crias. Como o “Criador” não se impressiona com a beleza das coisas que as mãos lhe apresentam, mas tem a prerrogativa de enxergar as motivações por detrás delas, decidiu aceitar com alegria a oferta de Abel e rejeitar a de Caim. Abel em sua individualidade pensa em agarrar a parte que lhe é própria, enquanto Caim perde neste momento sua individualidade, pensa somente em si mesmo, tendo como pressuposto seu egoísmo exacerbado. Juste un moment. Abel era individualista? E Caim era egoísta? Um sujeito que vive uma vida marota e liquida, ou seja, que lhe falta às certezas, que não há mais uma garantia sobre nada – logo é chamado de individualista p...

Networking - Micropoderes

Networking (em inglês) rede de contatos - para Michel Foucault existe em todas as relações sociopolítico-econômico -  rede de micropoderes , que se estabelecem em todos os lugares – familiares, regionais, locais - dentro do conjunto de possibilidades de conflitos - articulado horizontalmente, mas emergem difusas articulações verticais – institucionalização dos poderes plurais tendenciosamente para um centro político, para um poder aproximado do eixo de rotação. Os micropoderes -  poderes difusos , ou seja, poder de realizar mudanças no sentido das normas,  o poder de se promover a "mutação do discurso"; alterar a interpretação das normas para que os discursos possam acompanhar os anseios da sociedade que atuam pela persuasão e pelo desejo. Os discursos de poder, “(...) não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é, também aquilo que é o objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos ensinar – o discurso não ...

Resumo: "Idealismo hegeliano"

Considera-se idealismo como o primado do Eu subjetivo. O que não significa necessariamente reduzir a realidade ao pensamento. O postulado básico é que Eu sou eu. Idealismo subjetivo: existir é ser percebido. Idealismo absoluto: a única realidade plena e concreta é de natureza espiritual. Estágios da consciência: - consciência sensível (percepção); - consciência infeliz (enorme autoconsciência que queremos dar sentido a tudo e nos sentimos isolados); - consciência em-si-para-si (Espírito Absoluto) consciência ligada à ação, para transformar algo/mundo. Dialética Hegeliana: - dialética do senhor e do escravo (a questão entre eu e o outro); - dialética do ser “O ser e o nada é um e o mesmo;” - dialética da essência “A essência é o ser enquanto aparecer em si mesmo;” - dialética do conceito “O conceito é a unidade entre o ser e a essência.” Ninguém é o que é por acaso; os homens são filhos do seu tempo. “A filosofia é a ave de Minerva que alça o seu voo logo...

Resenha – O nascimento da clinica - Michel Foucault

Este livro trata do espaço, da linguagem e da morte; trata do olhar. ( FOUCAULT , 2011, VII).  Foucault inicia sua abordagem sobre a linguagem: “ a partir de que momento, de que modificação semântica ou sintática pode-se reconhecer que se transformou em discurso racional ”? ( FOUCAULT , 2011, IX).  O que ocorreu foi o deslocamento de um mundo dos objetos a conhecer; uma mudança entre o significante e o significado. A mutação do discurso deve ser dirigida à região em que as “coisas” e as “palavras” ainda estão interligadas (modo de ver e dizer; visível e invisível; o que se enuncia e o que é silenciado). O olhar loquaz do médico está centralizado a partir do nível da especialização e da verbalização fundante sobre o patológico: “ Entre as palavras e as coisas se estabeleceu uma nova aliança fazendo ver e dizer às vezes, em um discurso realmente tão ‘ingênuo’ que parece se situar em um nível mais arcaico de racionalidade, como se se tratasse de um retorno a um olhar fina...

Felicidade, o que é?

Descrever, ouvir ou falar sobre o que é, ou o que venha a ser felicidade, tarefa não das mais simplórias. Este  conceito de felicidade passa a largos passos da sua principal implicação. Se um sujeito entrevistado sobre os seus sentimentos e afetos, se coloca a respondê-las a priori é uma percepção intrínseca a autorrealização. O conceito de sentimento de felicidade, perpassa por aquele momento único e intransferível de alegria. O conceito de felicidade é muito amplo, e está para além das palavras; ele é puro e simplesmente subjetivo em sentido lato. O   sentimento afetivo de felicidade é strictu sensu, são sensações que se dá em um instante, ela é um estado de espírito; já a  percepção  é subjetivo e aqui implica sinceridade do sujeito com ele mesmo. Em uma dissolução sobre quem é ou não é feliz, implicaria uma atitude ética; porque seria uma espécie de análise perspicaz que envolveria juízos de valor. Para um sentimento, um afeto enfim, colocar o outr...

Filosofia? Para que serve?

A filosofia trata dos “por quê”, enquanto a ciência dos “como”. O filosofo britânico Bertrand Russell, diz: “a Filosofia é a ciência dos resíduos”. Ele quer dizer que: quando um conhecimento obtém alguma precisão no campo filosófico, este perde o nome de Filosofia e ganha um nome específico: Física, Química, Psicologia, etc. Ela faz perguntas incessantes até obter respostas, ao longo do encontro de seu objetivo que é perguntar (colocar em interrogação tudo que lhe for duvidoso), as respostas vão surgindo e o que se torna cientifico sai do campo filosófico, e o que resta, são os resíduos para questionamentos filosóficos que implicam em novos conhecimentos.   O valor da filosofia, na realidade, deve ser buscado, em grande medida, na sua própria incerteza. A filosofia, apesar de incapaz de nos dizer com certeza qual é a verdadeira resposta para as dúvidas que ela própria levanta, é capaz de sugerir numerosas possibilidades que ampliam os nossos pensamentos, livrando-os da tirania ...